Redes Sociais

LG: O que você sugere às empresas que ainda não aderiram às redes sociais, mas querem implantar essa política?

Martha: Primeiro, acredito que seja necessário fazer uma análise estratégica para verificar que tipo de valor agregado o uso de redes sociais pode trazer para a empresa e suas diversas áreas de atuação. Existem áreas que se beneficiariam mais do uso de redes sociais do que outras. Existem negócios que se beneficiariam mais do uso de redes sociais do que outros. É importante analisar o benefício do uso das redes sociais pelas empresas e seus colaboradores tanto no que se refere às suas atividades internas (por exemplo, em algumas áreas da empresa, ter acesso às informações para pesquisa nas redes sociais pode ser uma vantagem enorme para alavancar suas atividades) quanto às externas (contato e relacionamento com público-alvo, branding, etc.).

Uma vez feita essa análise, e chegando-se à conclusão de que o uso de redes sociais agregará valor à empresa, é necessário planejar as estratégias e políticas de uso das redes sociais – objetivo, o que, como, quem, quando etc. – e as etapas seriam as seguintes:

1. Preparar os colaboradores internos: a) educando-os quanto às políticas de uso e oportunidades / riscos das redes sociais e; b) fomentando a cultura 2.0 responsável para habilitar e familiarizar as pessoas no uso das redes sociais e novas tecnologias, tornando-os pessoas 2.0 – isso só pode ser feito se a empresa oferecer uma estrutura tecnológica que permita o acesso às redes sociais e criar ações internas de incentivo para a adoção e experimentação das mesmas.

2. Elaborar estratégias de ação externas nas redes sociais: a) conhecer os diversos tipos de redes sociais, seus públicos, características, etc. (Orkut, Twitter, Facebook, e todas as demais plataformas de redes sociais são diferentes); b) analisar em que redes sociais estão os seus públicos – interno, público-alvo, fornecedores etc., para escolher onde interessa atuar; c) determinar o objetivo geral da empresa a ser alcançado com as ações nas redes sociais e os objetivos específicos a atingir em cada plataforma de redes diferentes (LinkedIn, Twitter, etc.); d) estabelecer indicadores para mensurar os resultados e a eficiência das ações nas redes sociais em relação aos objetivos definidos; e) desenvolver as estratégias para atuação nas redes sociais – o que fazer, quando, por quem, custos etc.; e) implementar as estratégias; f) mensurar, analisar e ajustar as ações.

É importante deixar claro que uma estratégia em redes sociais pode ter como objetivo apenas a ação de “ouvir” as redes – pesquisa de mercado, análise de reputação etc. Aliás, essa deve ser sempre a primeira estratégia de qualquer empresa nas redes sociais. Conforme as empresas passem a conhecer bem o ambiente das redes sociais, elas podem detectar oportunidades e ameaças que podem ser alavancas para outras estratégias a serem desenvolvidas nas redes.

Assim, de forma resumida, para atuar nas redes sociais é necessário definir objetivos claros e estratégias de ação para alcançar esses objetivos. E essas estratégias só podem ser conduzidas por uma equipe educada e preparada para a cultura no ambiente 2.0.

LG: Você teria algum bom exemplo de uso das redes sociais para nos contar?

Martha: Sim, vários. Por exemplo, a Tecnisa, Porto Seguro e o Santander. Essas empresas (e muitas outras) têm usado as redes sociais de formas muito criativas e responsáveis para engajar o público interno e externo. A Tecnisa criou o cargo de gerente de redes sociais de forma pioneira no mercado brasileiro - o comprometimento da diretoria de marketing adotando as redes sociais e incentivando o seu uso na empresa, já resultou, por exemplo, na venda de 38 apartamentos pelo Twitter, como declarado por seu diretor, Romeu Busarello, no evento Gestão 2.0 em 29/abril. A Porto Seguro, entre outras ações, criou a campanha “Trânsito + Gentil”, que usa as redes sociais de forma interessantíssima: por meio de um serviço útil criado para os motoristas em geral (trânsito gentil) eles agregam o benefício de diminuir a possibilidade de batidas e sinistros em função do nervosismo das pessoas, além de gerar simpatia para a marca. No caso do Santander, além da criação e uso de uma rede social interna, que conta com uma adesão e engajamento muito grande, eles promovem também eventos para fomentar a cultura 2.0 responsável – o Diálogo Aberto – que teve recentemente a sua 4ª edição focando nas redes sociais.

Engenheira (Unicamp), pós-graduada em Marketing (ESPM) e em Design Gráfico (Belas Artes, SP), mestre e doutoranda em Artes (ECA/USP), Martha Gabriel é CIO da NMD New Media Developers e professora dos cursos de MBA da BSP Business School São Paulo, Anhembi Morumbi e UFPR. É também palestrante e autora de artigos em diversos congressos no Brasil e no exterior e autora de dois livros de marketing digital, sendo o mais recente o “SEM e SEO – Dominando o Marketing de Busca” (Novatec, 2009).www.martha.com.br / Twitter: @marthagabriel

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