Questão de opinião

Hoje tive a felicidade de ler um post da quase jornalista Ariane Fonseca, falando sobre ideologia no jornalismo. O texto é impecável, como todos que ela posta. Mas me chamou a atenção os textos publicados nos “Comentários”.

Entre muitas coisas que aprendi com a faculdade de jornalismo, aprendi também que jornalista não é dono da verdade, nem sabe tudo. Jornalista também não é superior a ninguém e não sabe tudo que acontece em todas as mídias. Ok, mas por que estou dizendo isso? Simples! Porque estou cansada de ouvir colegas de profissão criando teorias sobre conspirações, domínios e afins. Eu não sou burra nem ingênua de não saber que existem linhas editoriais e assuntos proibidos em cada veículo (sim, cada. Não tenho números oficiais, mas acredito que todo veículo, pequeno ou grande, sabe o que lhe engrandece ou prejudica). No entanto, vejo que muitos chegam a extremos: boicote a tal canal ou revista, ódios contra países, músicas e estereótipos. Chegam mesmo a recriminar jornalistas que não possuem as mesmas opiniões de esquerda, cults ou o que for (não é só hipótese. Ontem mesmo me relataram um caso assim. Ouvi do próprio recriminado. E mesmo minha turma, que se formou a pouco tempo, é recriminada por muitos por ter gostos digamos… populares!).

Me entristece constatar essa realidade e saber que o universo dos jornalistas está cheio de pessoas preconceituosas e com visão de mundo fechada. Acredito que uma coisa que jornalista precisa ser é aberto a novos conhecimentos, culturas e assuntos. Se não for assim, como trabalhar isento de pré-conceitos e  opiniões? Voltando aos veículos, não acredito e não quero acreditar que tudo que existe é manipulado. Não vou pilhar nessa história de Não confie em ninguém!. Acho que apesar das linhas editoriais, a maioria dos veículos fazem jornalismo sério. Alguns assuntos podem não ser explorados como deviam, mas compensam em outros temas. O que fazer? Ora, mude de canal quando passar uma matéria manipuladora da Globo sobre governo, assista as excelentes matérias sobre saúde do Globo Repórter e PARE de dizer que todos os problemas deixariam de existir se a Globo falisse! #prontofalei.

Desculpem a indignação, mas rótulos me incomodam muito. Outro dia me criticaram no twitter por emitir minha opinião sobre Big Brother Brasil (BBB) e um participante. Qual é? Jornalista não tem momentos de se distrair? Não posso ver BBB, novela, desenho animado, chaves; ouvir axé, Xuxa, sertanejo e MPB e fazer o que mais EU quiser porque tenho um diploma de jornalismo? Me desculpem, mas acho que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Se não estou representando uma instituição, se estou em um momento de folga, posso fazer e falar o que eu quiser. E tenho certeza (dessa vez nem é acredito), que antes de criticarmos qualquer coisa, temos que conhecer. Nem tudo é 100% ruim ou bom.

Ufa, acho que por agora acabei.  Desculpem o post imenso de hoje, geralmente não faço isso, mas esse não teve outra forma.

Ah! E sei que vai ser polêmico, mas adoro uma boa discussão, desde que com boas argumentações.

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7 Comentários

  1. Fiquei muito feliz de ver a sua recomendação do meu post aqui. Conheci o seu blog ontem, mas já dei uma boa lida em várias coisas aqui escritas. Muito bom, já está nas indicações do meu. Quanto ao post, concordo com tudo que você disse, principalmente na parte:

    “Voltando aos veículos, não acredito e não quero acreditar que tudo que existe é manipulado. Não vou pilhar nessa história de Não confie em ninguém!. Acho que apesar das linhas editoriais, a maioria dos veículos fazem jornalismo sério. Alguns assuntos podem não ser explorados como deviam, mas compensam em outros temas. O que fazer? Ora, mude de canal quando passar uma matéria manipuladora da Globo sobre governo, assista as excelentes matérias sobre saúde do Globo Repórter e PARE de dizer que todos os problemas deixariam de existir se a Globo falisse! #prontofalei.”

    Já fui MUITASSSSSSSSSS vezes catalogada de “sonhadora”, menina que vive num conto de fadas. Mas também creio fielmente que há empresas que fazem o bom jornalismo. É o que eu disse no post sobre as ideologias, o caminho é você procurar uma instituição que siga os mesmos valores que os seus.

    Outra coisa que você disse muito certa: jornalista é ser humano. Ele não sabe de tudo e tem o direito de se divertir como quiser, quando não está trabalhando. Tem gente que não sabe dividir as coisas.

    Parabéns!

  2. Amei os comentários, Nina e Álvaro! Quase complementam o post!

    Fico feliz de ver ao menos alguns colegas de profissão com a mesma opinião!

  3. Faço das suas palavras as minhas, Flaviane. Você abordou vários pontos que mexem na ferida de muita gente que chegou na faculdade de Jornalismo, e foi incapaz de incorporar a primeira e essencial lição para ser jornalista: exercitar todos os dias, em todas as situações, sob todas as circunstâncias, extrair de si todo e qualquer sentimento preconceituoso, para que isso não contamine nossos textos, nossas reportagens e tudo o que for produzido com o intuito de informar, explicar, narrar, analisar e opinar acerca de um assunto que envolva outras pessoas.
    Sei que é impossível se despir completamente dos preconceitos, mas o fato de tentar ignorá-los todos os dias pode amenizar MUITO a intensidade dos desconfortos que nos impedem de conviver pacífica e respeitosamente com todos os outros seres humanos.
    O problema é tentar se exercitar visando à eliminação desses grandes vilões dos jornalistas, sem que haja, em contrapartida, o cultivo diário da humildade.

  4. Senti um desabafo e consegui imaginar você me falando isso tudo, cara a cara. Ótimo. Texto forte como você é. E bastante pertinente.
    Ser jornalista é ter OPINIÃO PRÓPRIA, antes de tudo.
    Afinal, eu posso gostar de Colheita Feliz e de Glauber Rocha, de Rebolation e de Belchior, de Almodóvar e de Harry Potter.
    E quem vai me dizer que não? Prefiro não cair na mesmice!
    bj!!!

  5. Concordo com tudo que você falou, Laila! E também me preocupo com não discutir o que realmente é preciso. Mas acho que, com relação a isso, podemos ficar tranquilos, pelo menos em relação ao pessoal da nossa turma. Acredito que a maioria não é alienado e sabe bem tudo que acontece e que merece nossa atenção.

    Concordo com a Naissa também! Quem mais critica é quem mais precisa refletir e se reciclar!

    Obrigada pelo carinho, queridas.

  6. Muito bem colocado! O preconceito é uma característica abominável para um jornalista. Jornalista tem que ser aberto a conhecer de perto situações, pessoas, músicas, partidos, realidades. =)

    Não acredito que os veículos sejam vilões na história, mas a comunicação no Brasil realmente segue parâmetros que devem ser criticados. São concessões públicas não regulamentadas e geram impactos imensuráveis (como estudamos). E quando se falam nesse assunto (como nas Conferências de Comunicação) os jornalistas (e empresas) apelam para a “censura”. Nós, quando formos jornalistas na prática e dentro de uma redação, iremos sentir na pele como somos ou não ditados pelas normas do chefe, da empresa, da linha, etc.

    O post é polêmico porque nos leva a pensar em muitas coisas. Assim que é bom!

    Sobre o BBB, também fiz um post recente. Eu amo e nossa sala inteira foi discriminada por ter esse tema no convite. Gosto e acredito que a gente tenha o direito de pensar, falar, assistir e fazer o que quiser. Mas confesso que me sinto mal quando vejo que estou ficando viciada demais, rs. Vejo que o programa ocupa um espaço muito grande no debate público, enquanto outras coisas não são questionadas, comentadas, etc.

    Meu comentário foi um pouco grande, são assuntos bons de debater. Seria melhor se estivéssemos num churrasco com uma cervejinha junto.

    Parabéns pelo site-blog!

    Beijos!

  7. Flévis,

    Como sempre, ótimo texto!
    Também não aguento esses rótulos, como se todos nós tivéssemos que ser simpatizantes de tal partido, ler a revista X e frequentar aquele tipo de balada. O pior é que, na maioria das vezes, quem cria esses tipos de rótulos fica tentando se passar por alguém que não é, só para parecer “superior”.

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