Jornalistas e jornalistas

jornalistaEssa história de todo mundo se achar jornalista existe não é de hoje. Muito antes dessa não exigência do diploma para atuar na profissão, pessoas sem nenhum estudo específico na área já atuavam como radialistas, jornalistas e assessores, principalmente nos cantões do país. Trabalhando com assessoria de imprensa em meu estágio, ficou claro como o assessorado sofre com a falta de preparo dos “profissionais”. Precisei atualizar o mailing de imprensa de várias cidades que atingimos e para facilitar o meu trabalho, decidi entrar em contato com os assessores de imprensa das prefeituras (imaginei que eles já possuíssem um mailing com dados de imprensa local e regional).

Ficou nítida a diferença entre os jornalistas e os que se dizem jornalistas. Algumas cidades simplesmente não possuíam nenhum tipo de contato com a imprensa local. Veja que nesse caso estamos falando de assessorias de prefeituras. Como esses “profissionais” não encaminham releases aos veículos para que divulguem as ações da prefeitura? É claro que a maioria dos contatos foi positivo e consegui excelentes dados com os colegas de profissão. E não custa lembrar que, mesmo recebendo de fontes confiáveis, é recomendável checar cada email, através do telefone, diretamente com o veículo, para evitar que os releases corram o risco de não chegar a imprensa.

O mailing (relação de jornalistas) ao qual esses materiais podem ser encaminhados é informado ao assessorado, que, por sua vez, deve ficar à vontade para indicar contatos pessoais de jornalistas ou veículos de comunicação que julgue interessante, para montagem de um mailing em conjunto.

KOPPLIN, Elisa e FERRARETO, Luiz Artur. Assessoria de imprensa – teoria e prática. Porto Alegre: Sagra-DC Luzzato, 1996.

Essa citação nos lembra também da boa relação que deveria existir entre os profissionais. E isso também é muito claro na diferenciação de verdadeiros jornalistas. Quem realmente estudou para atuar nessa área é sempre solícito, já algumas pessoas…

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5 Comentários

  1. De volta ao assunto.. hehe
    Em minhas leituras de monografia, deparei-me com um texto do jornalista Wilson da Costa Bueno de 1982 e, dentre vários pontos interessantes abordados, resolvi destacar esses trechos para o assunto que você levantou:
    “Na capital, um diário comportado, que reprime as emoções, contido, que não permite veleidades literárias, que só publica poesia para denunciar censura. No interior, um semanário vibrante, que promove poetas de fins-de-semana, picante, fofoqueiro, deliciosamente caipira.”
    “(…) o grande jornal é, por excelência, profissional, resultado do trabalho de repórteres, redatores, editores, secretários de redação, copidesques, revisores e fotógrafos, jornalistas por tempo ou por diploma (…). Um produto essencialmente corporativo, exclusivo de uma classe. A folha do interior continua sendo o jornal dos amigos e dos colaboradores, ou do “jornalista-usucapião”, com décadas de posse de pena, o polivalente, o faz-de-tudo.”
    Apesar do ano, ainda nos identificamos, não?! oO

  2. Com certeza, Jaque! Tem muitas questões envolvidas e o assunto rende muito… quem sabe ainda não faço outros posts como esse? Adorei o comentário!

  3. É bem complicada a atuação em nossa área, principalmente nos cantões do país, como você mesma disse. Ou são cargos de direção ocupados por outros interesses que não competência profissional especializada ou ainda o filho do primo da vizinha que acabou de formar na área e precisa trabalhar (basta o parentesco, a amizade, em segundo plano a competência).
    Outro problema, resultante desta bola de neve, é que nenhum profissional que se preze gostaria de “ralar” horrores para a manutenção de um bom trabalho jornalístico se a comunidade e o mercado local não valoriza esse empenho. Afinal, localmente nunca houve um trabalho jornalístico de fato, portanto o que a fará distinguir o texto jornalístico do texto que o integrante da ONG x escreveu agradecendo a participação da população no evento y com direito adjetivos e adjetivos, além de uma saudação ao final? De uma maneira geral, o que importa é ver a foto de fulano no jornal ou o nome de ciclano.
    Para completar, os anúncios que sustentam o veículo continuarão sendo pagos independente da qualidade do que é veiculado, já que os veículos de interior se restringem a um ou dois – na minha cidade são dois que tem o conteúdo praticamente igual exceto coluna de opinião fazendo uma suposta oposição ao outro que é posição.
    Enfim… a assessoria falha que não possui um mailing neste caso é apenas um detalhe: para que se preocupar se no final é só escrever um texto rapidinho às vésperas da publicação do jornal e ‘dar um toque’ que com certeza a “notícia” estará nas páginas do jornal?
    PS: acabei escrevendo mais do que devia, né?! Mas o assunto dá pano pra manga…

  4. Pois é, Naissa. Isso acontece muito. Agora não sei como está a situação lá, não estou acompanhando… Mas na gestão passada da prefeitura tinha um jornalista sim. Era cargo de confiança, mas pelo menos era formado.

  5. Muito bom o texto, Flévis!
    Realmente tem muitos que se dizem profissionais por aí e empresas que contraram o “filho de não sei quem” para cuidar da comunicação, etc. Essa é um dos motivos pelos quais não volto para Lavras, lá em Campos Gerais a situação não deve ser diferente, né?

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